Um projeto inovador de vigilância epidemiológica, desenvolvido pela Unidade Local de Saúde do Oeste (ULS Oeste) em parceria com a Associação Nacional das Farmácias (ANF), está a gerar informação estratégica para apoiar respostas mais eficazes em Saúde Pública na região Oeste. A iniciativa assenta numa rede de farmácias comunitárias que funcionam como unidades sentinela junto da população.  

A rede envolve mais de 70% das farmácias da região e já permitiu recolher dados de mais de 1.800 pessoas com sintomas agudos de infeção respiratória, bem como apoiar a realização e o registo de resultados de mais de 300 testes rápidos de vírus respiratórios.  

Esta recolha sistemática de informação possibilita uma monitorização próxima e representativa da circulação de vírus respiratórios na comunidade, permitindo a deteção precoce de casos ligeiros, a identificação de novos padrões de infeção e de agentes patogénicos com potencial causador de epidemias ou pandemias, bem como a promoção de uma utilização mais adequada dos serviços de urgência.  

A presidente do Conselho de Administração da ULS do Oeste, Elsa Baião, sublinha a relevância desta «colaboração interinstitucional», considerando que o projeto demonstra que «as farmácias são um parceiro estratégico, pela proximidade às pessoas, pela confiança dos utentes e, acima de tudo, pelo conhecimento profundo do território». 

Já a presidente da ANF, Ema Paulino, destaca os resultados preliminares, que evidenciam «o impacto da iniciativa no reforço das ações de promoção da etiqueta respiratória e da vacinação, bem como no apoio à gestão da sintomatologia aguda não grave, com potencial para reduzir a transmissão de vírus e a afluência desnecessária às urgências hospitalares».  

As farmácias comunitárias aderentes recebem cerca de 60 mil pessoas por semana, assegurando, assim, uma elevada cobertura populacional. Atuam como unidades sentinela em articulação com o Departamento de Saúde Pública e Populações do Oeste, cujo coordenador, Nuno Rodrigues, assinala que «os dados recolhidos são essenciais para reforçar e otimizar a capacidade do sistema de vigilância epidemiológica, contribuindo para respostas mais eficazes e ajustadas em cada momento».  

Este sistema complementa outros instrumentos de monitorização, como o Índice HiCorr, desenvolvido anteriormente numa parceria entre o Departamento e a ANF, o qual apoia a deteção precoce de picos epidémicos. 

A recolha de dados é realizada através de um formulário eletrónico integrado no software das farmácias, onde os farmacêuticos registam os sintomas apresentados e os testes efetuados. Esta informação permite acompanhar a intensidade e o padrão temporal das infeções, bem como a positividade para os diferentes vírus respiratórios na comunidade.  

Os resultados preliminares apontam para um elevado potencial de replicação do modelo a nível nacional, reforçando a capacidade de resposta do sistema de saúde e apoiando decisões clínicas e de gestão mais céleres baseadas em evidência.