A integração das farmácias comunitárias na campanha de vacinação sazonal 2023-24 contra a gripe e a COVID-19, em complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), revelou impactos significativos ao nível do acesso à vacinação, da satisfação das pessoas e da eficiência económica e ambiental. 

As conclusões são do estudo de avaliação da campanha, promovido pela Associação Nacional das Farmácias (ANF) e desenvolvido pelo Centro de Estudos e Avaliação em Saúde (CEFAR), que contou com a participação da população portuguesa com 60 ou mais anos. O estudo teve como objetivo avaliar o impacto da participação das farmácias no processo vacinal, caracterizar a população elegível para a vacinação gratuita nestes locais e compreender as suas atitudes em relação à imunização. 

Segundo o documento, a disponibilidade física de locais de vacinação aumentou em mais de 400% em relação a 2022-23, o que reduziu para metade a distância média da população ao local de vacinação. Apesar do desafio da hesitação vacinal, os resultados indicam que o aumento da acessibilidade contribui para a manutenção da cobertura vacinal, que foi 5,9% superior nos concelhos onde a distância ao local de vacinação mais diminuiu, em comparação com aqueles em que a redução foi menor. 

A proximidade e a rapidez do processo vacinal foram apontadas como os principais motivos por 95% dos inquiridos para apoiarem o alargamento da vacinação contra a gripe e a COVID-19 às farmácias comunitárias. 

O estudo evidencia ainda importantes benefícios ambientais e económicos. A redução das deslocações de automóvel até ao local de vacinação traduziu-se numa diminuição de 41% do total de emissões de CO2 face à campanha anterior. Adicionalmente, o facto de mais de metade das pessoas se ter deslocado a pé, permitiu uma poupança estimada de 2,4 milhões de euros, resultado da redução de custos com transportes públicos, automóvel e táxi.  

Para o SNS, a participação das farmácias libertou cerca de 310.000 horas de trabalho dos recursos humanos, resultado dos 2.976.842 atos de vacinação realizados na rede.  

«A campanha de vacinação sazonal correu claramente bem. (…) Ao avaliarmos a política pública implementada, demonstramos que a participação das farmácias comunitárias contribuiu de forma importante para a manutenção da cobertura vacinal no caso da gripe, num contexto nacional e internacional, em que se esperava a diminuição deste indicador», afirma o diretor de Soluções e Evidência em Saúde (DSES) da ANF. 

Para António Teixeira Rodrigues, a elevada satisfação global das pessoas prova que as farmácias devem continuar a ser parceiras nas campanhas nacionais de vacinação. «Permite retirar pressão do SNS, que fica mais livre para intervenções que não podem ser prestadas por outros profissionais», garante. 

Pela primeira vez, a campanha de vacinação sazonal do SNS deu à população com 60 ou mais anos a opção de se vacinar contra a gripe e contra a COVID-19 gratuitamente nas farmácias comunitárias, além dos pontos habituais. As farmácias e a população aderiram massivamente: cerca de 2.500 farmácias participaram na iniciativa e 1.740.961 pessoas escolheram vacinar-se nas farmácias contra a gripe (70% de todas as vacinas administradas) e 1.375.967 contra a COVID-19 (69% de todas as vacinas administradas).